sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Mais um, "J"...

Como o tempo passa. Ainda me lembro de te segurar no colo, com algum receio que partisses algum osso de tão pequenos que eles eram.
De repente gatinhas, andas, corres, saltas, sobes a tudo e mais alguma coisa. Começas a falar e a dizer coisas que não lembram ao diabo! Pegas-me na mão e vais-me mostrar sempre o teu quarto que procuras manter sempre arrumado…do teu jeito. Jogamos às escondidas e mesmo a saber onde me escondo, achas um piadão! E quando sou eu a procurar, preocupas-te mais em dizer “aqui, aqui” do que em esconder-te.
Bem, hoje fazes anos, como se diz aqui em Espanha, cumpres anos. São três a fazer jus ao que tu tanto gostas de apregoar “Sou um homem!”
Desejo-te o que te desejo todos os dias, um dia em grande e que sejas o “homem” mais feliz do mundo! Sempre a virar tudo de pernas para o ar por onde quer que passes!
Um feliz aniversário e, acima de tudo, diverte-te!

Um beijinho do padrinho

domingo, 6 de setembro de 2015

Refugiados…tudo, menos um caso simples.

Antes que comecem os insultos, quero dizer que todas as imagens que vemos sobre os refugiados me impressionam.
Acho muito bem a onda de solidariedade que ocorreu no facebook ao partilhar um sem número de vezes a foto de uma criança morta. Quando ocorreu um acidente de comboio em Santiago também passaram vezes sem conta imagens do descarrilamento e dos mortos a serem retirados…na altura chamei a isso sensacionalismo. Só que desta vez não passam imagens do “acidente” que origina estas mortes sem fim. Não, não falo dos naufrágios. 
Será que só nos lembramos dos refugiados quando começam a dar à costa? Sabemos porque são refugiados, certo? Que movimentos (virtuais e não virtuais) foram feitos para parar as guerras que matam há anos crianças ainda mais novas do que aquela que foi usada, de forma sensacionalista, dia a fio nas redes sociais?
Até agora assobiamos para o lado, não nos dizia respeito, era tão longe que nós não ouvíamos os tiros nem as bombas…nem víamos os civis mortos a dar a costa. Pois, esses deixam de ter necessidade de sair do país. 
Defendo uma ajuda humanitária a estas pessoas. Não sei qual nem como. A situação não é fácil. O nosso sentimentalismo diz-nos “abram as portas”. Grita-se apelando à ajuda (mais uma vez via facebook, através do caps lock). Façam-se as coisas primeiro, pense-se nas consequências depois. Sim, que as vai haver. E sei que toda a gente que apela à ajuda vai ter total compreensão quando os problemas, de várias ordens, surgirem.
Sei que ninguém diz isto, a sério, ninguém, mas de vez em quando ouço passarinhos a cantar “os ciganos deviam de ir para a terra deles!” ou “esta gente de leste só traz problemas!”. Ainda há uns tempos, um hospital em Portugal recebeu feridos de guerra Sírios (se não me engano). Os relatos do que se passava lá dentro, mais uma vez cantados por passarinhos, insinuavam cenários caóticos nos serviços, devido à extrema educação dos feridos. E houve total compreensão. Isto, só como exemplo.
Vamos ajudar. Eu dou uma solução. Cada família, cada pessoa que tenha uma casa, abre as portas a um refugiado ou a uma família deles. Temos que lhes dar de comer, roupa e tudo o que faça falta para terem dignidade. Quem disser que não, fica sem moral para dizer aos Estados para abrirem as portas das suas casas.
Depois critica-se quem apela à ajuda às pessoas que vivem indignamente dentro do nosso país, subitamente esquecidas (será que alguma vez são lembradas?). Mas não há só sem-abrigos. Há idosos e crianças abandonados…vá, que asneiras estou eu para aqui a dizer? Ninguém abandona idosos e crianças. E só por se dizer isto, somos pessoas que queremos deixar os refugiados à sua sorte.
Repito, lamento muito a situação destas pessoas. São humanos e precisam de ajuda. Isso não está em causa. Apelo à ajuda, mas sem exigir o que seja. Apenas espero que todas as decisões sejam tomadas com o máximo de humanismo (para quem quer entrar e para quem já cá está, para não passarmos a ter dois problemas).
A solução do problema? Parar a guerra. O resto são remendos. Não me digam que é impossível. Há uns anos, um pequeno país ajudou um ainda mais pequeno não país a livrar-se de anos de massacres (durante anos esquecidos por todos) …lembram-se de Timo-Leste?




quinta-feira, 3 de setembro de 2015

...

Minha querida Avó,

Creio que nos disseste adeus há uns 12 anos. Muito tempo para algo que parece que ainda foi ontem.
Sorrio ao recordar a tua voz que ainda tenho bem presente...
Sorrio ao recordar as tuas feições que ainda tenho bem presentes…
Sorrio ao recordar o teu toque que ainda tenho bem presente…
Ao mesmo tempo cai-me uma lágrima e turva-se a visão ao saber que um dia, que não sei quando será, verei desaparecer da minha memória o som da tua voz. Que um dia deixará de estar presente a recordação do calor do teu toque. Que um dia terei que recorrer a fotografias para avivar as lembranças das tuas feições.
E peço desculpa por isso. Merecias, por tudo o que sempre foste, de ficar bem guardada na minha memória. Digo o todo, porque o mais importante está gravado como se fosse uma marca de ferro em brasa. O que sinto e tudo o que foste para mim, não há passar dos anos que o possa apagar.
E o que foste? Foste Avó, por momentos Mãe (apesar de ter a melhor delas), sempre um porto seguro. Eu não tinha um monte de brinquedos na tua casa (possivelmente teria alguns, não me lembro), não tinha nenhuma consola, não tinha bolas de futebol, não tinha bicicleta…mas a verdade é que sempre fui feliz na tua casa, sempre tive tudo o que precisava. A tua atenção, a tua dedicação, a tua companhia, o teu carinho, o teu amor.

Hoje farias anos e as saudades apertam um pouco mais. Apenas gostaria que fosse possível aproximar-me de ti, abraçar-te, dar-te um beijinho e dizer-te “Feliz aniversário Vó”.