quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Os meus votos

Aproxima-se a noite em que fazemos uma perspetiva do ano que termina e renovamos sonhos, desejos e pedidos.
E eu não fujo à regra. Ano após ano fazemos estes dois exercícios, muitas vezes chegamos à conclusão que nada mudou em relação ao anterior e repetimos os votos.
Olhando para trás, este meu ano que termina foi a continuidade dum ano em que ocorreu uma grande mudança, logo foi ano de fortalecer alicerces. Foi um ano de evolução, de grandes aprendizagens profissionais e pessoais.
Ter sido um ano de continuidade não significa que pretendo o mesmo para o ano que aí vem. Sonhei, vou voltar a sonhar, mas sonharei diferente. Arrisquei, vou voltar a arriscar, mas arriscarei diferente. Desafiei-me, vou voltar a desafiar-me, mas desafiar-me-ei de forma diferente.
A esperança só pode existir de mantivermos a nossa capacidade de acreditar. E eu acredito, acredito que para alcançarmos o que queremos apenas dependemos de nós mesmos. Basta escolher sabiamente os caminhos que queremos seguir, ver com olhos de ver todas as opções, em todas as direções.
E nunca esquecer, só podemos crescer, só podemos fazer diferente se nos desafiarmos, se arriscarmos a sair da nossa zona de conforto, se deixarmos para trás o que não nos leva a lugar algum.
A todas as pessoas que têm lugar no meu coração, desejo que 2017 seja um ano em que sonhem muito e, acima de tudo, vivam muito. Com saúde, muita saúde.

São os votos do vosso amigo,

Jorge Gomes




O desencanto do Natal

Como já frisei anteriormente, o Natal é a época do ano que vivo com uma tranquilidade intensa, em que sinto tudo o que me rodeia de forma diferente. Se isto acontece deve-se ao facto de, quando era pequeno, um conjunto de pessoas me ter feito acreditar e incutido na magia do Natal.
Quem foram essas pessoas e o que fizeram? Primeiro as pessoas…pais, tios e avós, aqueles com quem passava a véspera e o dia de Natal e aqueles que conviviam comigo diariamente. E o que fizeram? Com dedicação, com ternurenta dedicação, com mentira, a mais terna das mentiras, fizeram-me acreditar no Pai Natal. Acreditei, se não me engano, até aos 9 anos (como era boa a inocência daqueles tempos) e tudo graças à imaginação e à vontade dessas pessoas em quererem ver o brilho de encanto que me invadia os olhos nessa noite.
Havia a indispensável carta ao Pai Natal. Não havia prendas à vista com antecedência. Faziam trinta por uma linha para eu sair de perto da lareira para eles porem as prendas e dizerem que foi o barbudo. Quantas vezes saí à rua quando me diziam que tinham avistado o trenó e eu saía disparado na ânsia de o ver! E acreditem, cheguei a vê-lo! Não havia aquela preocupação narcísica de saber quem é que deu as prendas…era sempre o gordo! O que se fazia, por exemplo, era que as prendas dum tio eram entregues no dia a seguir e dizia-se que foram as prendas que o Pai Natal deixou na casa desse tio. Era a altura em que recebíamos presentes diferentes, aqueles brinquedos ou livros que jamais recebíamos ao longo do ano. Aqueles brinquedos que íamos usar até dizer chega, que íamos conservar como se fossem o maior tesouro à face da Terra. Dávamos, sabíamos dar valor ao que tínhamos. Ainda devo ter, algures numas caixas, grande parte dos meus brinquedos. Velhos, gastos, mas ainda conservados.
Hoje em dia fere-me ver a morte da magia do Natal. Não se confunda magia do Natal com desespero em receber muitas prendas. Os miúdos sabem cada vez mais cedo que o homem de vermelho não existe. Sabem que são os pais ou que é o tio x ou o tio y a dar as prendas. Por preguiça ou falta de imaginação das pessoas em fazer acreditar. Pelo interesse egoísta de se querer que saiba quem deu o quê. Temos os presentes na árvore de Natal muito antes da meia-noite. E eu tenho pena, pena em primeiro lugar dos pequenos que se vêem privados do encanto natalício; pena em segundo lugar pelos adultos que se negam de experienciar o olhar maravilhoso duma criança crente; pena, em terceiro e último lugar, por morrer a crença numa época mágica, para se ficar apenas pelo consumismo desenfreado.

Apesar de tudo eu acreditei, acredito e continuarei a acreditar na magia do Natal. Por muito que a veja a definhar, por muito que eu veja falta de vontade dos adultos em manter a mais bela mentira do mundo, eu lutarei por ela. Pela minha parte, nenhuma criança será privada da bela inocência da sua infância.


quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

It’s Christmas time…

Estamos em plena época natalícia, aquela que é, porventura, a minha preferida do ano. Adoro o Verão e por mim sê-lo-ia todo o ano, mas teria que chegar a esta altura e teria que estar este friozinho que aquece a alma de muita gente.
Não sei explicar ou talvez seja difícil fazê-lo, mas no Natal (não apenas o dia em si) as pessoas soltam uma aura de bem, de positividade, de compreensão, de paciência, muitas vezes ausentes no resto do ano. Por um lado é pena, por outro revela o que de bom a humanidade ainda tem para oferecer.
Não falo, obviamente, dos bens materiais, de todos os brinquedos que cada vez mais fazem menos sentido. Há uns vinte e poucos anos, esta era a altura em que se podia receber algo diferente do que se recebia no resto do ano, algo que ia ter um lugar de destaque nas nossas prateleiras ou da qual iríamos usar e abusar. Hoje, duma forma geral, as prateleiras já não têm espaço para mais nada ou as caixas estão cheias de coisas novas. Diz-se que Natal é sempre que o homem quer e infelizmente acho que se chegou a esse ponto.
Porém, dá-se muito mais que bens materiais nesta altura. Dá-se tempo, dá-se amor, dá-se presença, dá-se tudo que tem mais valor que o valor monetário. E eu gosto de andar na rua, agasalhado, a sentir o frio a bater na cara, com as músicas de Natal a voarem em todas as direções e as luzes que animam as cidades a alegrarem-nos as vistas. Adoro estar com as pessoas que muito me dizem, aquelas que têm lugar reservado no meu coração. Seja numa mesa de café, num passeio de fim da tarde, numa mesa de jantar.
Há anos que não tenho o costume de pedir o que seja. Tenho, a nível material, não direi tudo o que quero, mas tudo o que preciso. De resto peço para todas as pessoas que integram a minha vida apenas saúde, para que possamos todos, ano após ano, viver novos e inesquecíveis momentos.

Feliz Natal e um Próspero Ano Novo a todos!



domingo, 11 de dezembro de 2016

Desistir

Talvez não o saibas ou talvez sim, mas desistir de ti é, ao mesmo tempo, demasiado fácil e demasiado difícil. Querer sem garantia de reciprocidade, seja amor ou amizade, é um caminho de destino incerto.
Hoje em dia desiste-se muito facilmente de tudo ao menor dos obstáculos, desistimos dos nossos sonhos simplesmente porque temos que lutar por eles e não nos são entregues numa bandeja. Desiste-se porque se tem que trabalhar e dedicar tempo para criar, erguer e fortalecer relações. Por isso, é muito fácil desistir quando é, talvez, o que mais se faz todos os dias.
Seria muito fácil se tivesse em conta o tempo que já passou, o tempo em que te mantiveste presa nessa tua carapaça, nesse teu mundo em que me parece que não arriscas a sofrer, mas também não arriscas a viver.
Seria muito fácil se seguisse os meus receios, as minhas dúvidas e as minhas inseguranças.
Seria muito fácil se seguisse os avisos amigos, que por serem amigos vêm de pessoas que me conhecem muito bem e para mim querem o melhor.
Há, porém, um pequeno (grande) senão, eles não sentem o que eu sinto por ti.
Nunca me habituei a desistir, por muito difícil e incerto que seja o momento, daquilo que mais quero. Não desisti de ser karateca, mesmo quando as forças fraquejavam. Não desisti de querer ser e de ser enfermeiro quando parecia que se erguiam muros à minha frente. Não desisti nunca de ser quem sou e como sou, mesmo sentindo-me deslocado num mundo de escassos valores e princípios. Por isso…
Seria muito difícil desistir da Mulher que é o latejar do meu coração.
Seria muito difícil desistir da Mulher que é o motivo do meu sorriso.
Seria muito difícil desistir da Mulher cuja voz é o canto de sereia que me inebria os sentidos.
Seria muito difícil desistir da Mulher cuja visão são raios de felicidade que invadem os meus olhos.
Seria muito difícil desistir da Mulher que se delicia com os mais pequenos, numa doçura e num carinho apaixonantes.
Seria muito difícil desistir da rara Mulher que tem sonhos a colidir com os meus.
Seria muito difícil desistir da Mulher que domina o pensamento do meu acordar e do meu deitar.

Eu já tentei, uma tentativa que baqueava de cada vez que te via, de cada vez que te ouvia, de cada vez que te sentia. Eu já tentei e criei, sem saber, um vazio que me tolhia. Eu juro, já tentei, mas fraquejei porque, sinceramente, não sei desistir de ti.






domingo, 4 de dezembro de 2016

Medo

O medo é algo presente na vida de toda a gente, mesmo daqueles corajosos que dizem desconhecê-lo. Eu não tenho problemas em admiti-lo, ter medo não é mau, mantem-nos alerta…mas nunca pode chegar ao ponto de nos tolher os movimentos e os sentimentos.
Por exemplo, tenho medo de morrer, assumo sem nenhum problema. Sei que a vida é demasiado incerta e cruel para seguir um rumo normal e que as coisas não acontecem só aos outros. Diz-me a minha experiência de vida e profissional. Sei que de cada vez que me deito, o acordar não é garantido, tal como acordar não é garantia que me vou deitar à noite. Simplesmente não vivo, nem posso viver obcecado por isso, senão deixaria de o fazer. Mas sei que posso ser privado de viver os sonhos ainda por cumprir.
Logo, é esse meu medo que me leva ao maior deles todos. Ver o pano da minha vida descer sem tu saberes o quanto te quero, o quanto te desejo, o quanto te amo. Sem saber se leste tudo o que escrevi para (de) ti. Sem ter a oportunidade de te dizer pessoalmente tudo isso, cara a cara, olhos nos olhos, lábios nos lábios. Sem ter a possibilidade de te acariciar, corpo e alma; sem ter a possibilidade de sonhar junto a ti; sem ter a possibilidade de te ter no meu ombro, no meu peito ou nos meus braços; sem ter a possibilidade de olhar para ti, com os olhos a brilhar, e dizer-te o quanto viraste a minha vida de pernas para o ar e o maravilhoso que isso foi.
De resto nada mais me mete medo. Não tive medo de arriscar e assumir o que sinto por ti. Porquê ter medo de algo tão bonito? Não tive medo que pudesses não gostar de mim, porque, queres que te diga, acho que gostas (mesmo que ainda não o saibas ou admitas). Não terei medo de dar um passo em frente, porque simplesmente acredito que vai dar certo (já diz a minha amiga Mariza “acreditar sem ver”). Sem pensar em “ses”, em possibilidades imaginárias, em temores infundados, em mágoas que não existem. Darei esse passo com todas as “ganas” de agarrar a oportunidade, com a única intenção de, dia após dia, todos os dias da tua vida, te fazer a mulher mais feliz. Sabes que é o mínimo que mereces, não sabes? E não te preocupes, serei o homem mais feliz ao fazê-lo!
Eu para ter a certeza de tudo o que te digo fiz um exercício mental. Imaginei o meu mundo sem ti…durou uns segundos e foi mau demais para conseguir descrever.
Faz o mesmo, imagina um mundo em que eu desapareci…sei que às vezes é difícil fazê-lo quando temos a pessoa por perto e pensamos que sempre será assim. Mas tenta, sem medo…não precisas de me dizer a reposta.


P.S. – Antes que seja tarde, deixo-te aqui escrito, para que o saibas de cada vez que te deitas ou de cada vez que acordas…amo-te.