quinta-feira, 3 de setembro de 2015

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Minha querida Avó,

Creio que nos disseste adeus há uns 12 anos. Muito tempo para algo que parece que ainda foi ontem.
Sorrio ao recordar a tua voz que ainda tenho bem presente...
Sorrio ao recordar as tuas feições que ainda tenho bem presentes…
Sorrio ao recordar o teu toque que ainda tenho bem presente…
Ao mesmo tempo cai-me uma lágrima e turva-se a visão ao saber que um dia, que não sei quando será, verei desaparecer da minha memória o som da tua voz. Que um dia deixará de estar presente a recordação do calor do teu toque. Que um dia terei que recorrer a fotografias para avivar as lembranças das tuas feições.
E peço desculpa por isso. Merecias, por tudo o que sempre foste, de ficar bem guardada na minha memória. Digo o todo, porque o mais importante está gravado como se fosse uma marca de ferro em brasa. O que sinto e tudo o que foste para mim, não há passar dos anos que o possa apagar.
E o que foste? Foste Avó, por momentos Mãe (apesar de ter a melhor delas), sempre um porto seguro. Eu não tinha um monte de brinquedos na tua casa (possivelmente teria alguns, não me lembro), não tinha nenhuma consola, não tinha bolas de futebol, não tinha bicicleta…mas a verdade é que sempre fui feliz na tua casa, sempre tive tudo o que precisava. A tua atenção, a tua dedicação, a tua companhia, o teu carinho, o teu amor.

Hoje farias anos e as saudades apertam um pouco mais. Apenas gostaria que fosse possível aproximar-me de ti, abraçar-te, dar-te um beijinho e dizer-te “Feliz aniversário Vó”.

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