Numa formação que estou a frequentar sobre
comunicação, a certa altura, falou-se sobre o elogio, no sentido que devemos de
elogiar os demais, sendo desse modo amáveis. Concordo em parte com isso, mas
mais que falar sobre o elogiar os outros, vou escrever sobre a “dependência”
atual que temos em sermos elogiados.

Podendo ambos os tipos serem de análise subjetiva,
considero que os primeiros são aqueles sobre os quais menos ação temos. Dando
apenas um exemplo, uma pessoa ser ou não ser bonita pode depender do que ela
faz para se pôr assim ou depender se já nasceu ou não com formas mais ou menos
formosas, mas acima de tudo, depende dos olhos que a vêem.

Porém, seja de um tipo ou de outro, acredito que hoje
se vive numa obsessão em ser-se elogiado. As pessoas acham que é um direito
adquirido de nascença, talvez nuns resquícios do que fica de quando nascemos…”ai
que bebé tão lindo”, mesmo que seja a criatura mais feia que há.
Uma pessoa aperalta-se, seja para que situação for,
não para se sentir bem consigo mesma, mas na tentativa de ser uma alegre visão
para os olhos dos outros. E se ninguém lhe diz nada? Se ninguém lhe gaba o
corte de cabelo? O vestido ou a camisa nova? Os sapatos?
A mesma coisa se passa nas nossas ações do dia-a-dia,
cada vez mais temos comportamentos para os outros verem que propriamente para
nós sentirmos, contrariando o que tenho lido por aí que “carácter é quando
fazemos o correto quando mais ninguém nos está a ver”. Assiste-se em todos os
contextos da vida a pessoas (adultos ou crianças) que, pese o exagero, esperam
o elogio ainda antes de terem feito o que for para o merecer.


Cresci e fui educado assim e acho que ganhei muito
com este tipo de pensamento. Aprendi a relativizar os elogios e as críticas,
não vou às nuvens com os primeiros nem me sinto o pior do mundo com as
segundas. Sei do perigo de soberbia que os primeiros acarretam e aproveito as
segundas para crescer ou refletir no que faço. Todos temos obrigações e
responsabilidades, assumi-los é o nosso dever.
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