domingo, 9 de novembro de 2014

Karate vs Futebol…o que é melhor para a criança?


Em conversa com um grande amigo meu, ligado à área da saúde, especificamente no atendimento a crianças/adolescentes, surgiu como tema de conversa o Karate e o futebol. Ambos adoramos futebol (muitas vezes jogamos juntos, tivemos pequenas experiências em equipas locais, mais ele que eu, sendo ele um craque) e ambos tivemos um caminho comum no karate durante 8 anos, no fim dos quais ele acabou por abandonar (mostrando arrependimento) e eu seguir algo que mantenho até hoje.
A dada altura da conversa conta-me ele algo que lhe chegou aos ouvidos. Um treinador de futebol, de miúdos por volta dos 6 anos, questionado por uma mãe o porquê do filho não sair do banco, diz a seguinte pérola “Por 5 minutos se ganha, por cinco minutos se perde!”  Este senhor deveria repensar se está a lidar com a faixa etária correcta ou então rever os conceitos que regem o seu treino. Está em causa o desenvolvimento ou não de uma criança, a sua motivação e auto-estima. Como disse o meu amigo, é o pior que se pode fazer a uma criança.
Como ando a frequentar o curso de treinador de Karate, há coisas para as quais, apesar de já as saber, nem que de forma inconsciente, vou tendo mais sensibilidade. E depois do meu amigo me ter dito isto, cheguei à conclusão mais óbvia que se pode chegar.
No futebol existem captações no início da época, às quais acorrem milhares de crianças por este país fora. E a entrada na equipa dá-se sob a forma de selecção, onde se escolhem logo à partida aqueles que são mais inatos à prática da modalidade. Se não tem jeito ou não sabe chutar uma bola, não é seleccionado…ou é, na falta de melhor. Claro que há as escolinhas de futebol que não têm ligação directa a clubes, algo mais indicado para crianças, mas que poderão ver o seu propósito corrompido com a obsessão de ganhar jogos. Mas para concluir o pensamento do futebol, há a ideia (mesmo que não assumida), que se um miúdo não sabe o que é uma bola, não deve sequer pensar em praticá-lo.
Se no Karate imperasse a mesma ordem de pensamento, desculpem o termo corriqueiro, estávamos lixados! Quantos miúdos que nos chegam e não sabem o que é “uma bola”? A maioria. E nós acolhemos todos por igual. Estamos predispostos a ensinar a nossa arte a qualquer um, mesmo aos que se revelam mais inaptos, sempre na premissa que a evolução depende muito mais do treino e do empenho, que das habilidades inatas. Mas antes de ensinar o Karate, estamos dispostos a ensinar, se preciso for, a correr, saltar…mas principalmente, a ensinar valores que podem e devem ser aplicados no dia-a-dia. Quer continuem ou não no Karate (um exemplo da teoria que se abordou no curso, que já sabíamos, mas tomamos ainda mais consciência).
Claro que há crianças com uma evolução mais rápida e outras mais lentas. Mas nenhuma tem menos importância para quem dá o treino. Dou o meu exemplo, pratico esta arte há 24 anos e pelo caminho vi desistir muitos colegas com maiores apetências físicas que eu para o Karate. E quem me treinou, a pessoa a quem mais devo nesta minha segunda família, nunca me pôs de lado em algum momento. Nem ele, nem as várias pessoas que me foram treinando desde os meus 6 anos. E daqui a 24 anos, se nada me acontecer, espero e vejo-me a treinar activamente (não apenas a dar treinos), algo difícil de conseguir noutras modalidades.

Chega-se à pergunta, que é melhor para a criança? Depende muito do treinador, mas dados os modelos actuais, sem dúvida alguma o Karate!

7 comentários:

  1. Bom Artigo, gostaria de o partilhar na página da ADK.
    Um Abraço
    JFerreira

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    1. Obrigado José Ferreira. Agradeço a partilha.
      Um Abraço
      Jorge Gomes

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  2. Depende muito do treinador!!! Sem dúvida!

    Mas não só no Karate, também em qualquer modalidade desportiva|||

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  5. Fantástico artigo sensei. Um belo comparativo que exemplifica a importância do karatê-dô como prática complementar na educação inicial.
    Andrey Xavier
    Oss

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  6. Sou mae da Lara de 4 anos,praticante de karatê ha dois anos....de acordo....obrigado por me fazer sentir certa da minha escolha....

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