quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Minha querida Avó

Minha querida Avó,

Creio que nos disseste adeus há uns 12 anos. Muito tempo para algo que parece que ainda foi ontem.
Sorrio ao recordar a tua voz que ainda tenho bem presente...
Sorrio ao recordar as tuas feições que ainda tenho bem presentes…
Sorrio ao recordar o teu toque que ainda tenho bem presente…
Ao mesmo tempo cai-me uma lágrima e turva-se a visão ao saber que um dia, que não sei quando será, verei desaparecer da minha memória o som da tua voz. Que um dia deixará de estar presente a recordação do calor do teu toque. Que um dia terei que recorrer a fotografias para avivar as lembranças das tuas feições.
E peço desculpa por isso. Merecias, por tudo o que sempre foste, de ficar bem guardada na minha memória. Digo o todo, porque o mais importante está gravado como se fosse uma marca de ferro em brasa. O que sinto e tudo o que foste para mim, não há passar dos anos que o possa apagar.
E o que foste? Foste Avó, por momentos Mãe (apesar de ter a melhor delas), sempre um porto seguro. Eu não tinha um monte de brinquedos na tua casa (possivelmente teria alguns, não me lembro), não tinha nenhuma consola, não tinha bolas de futebol, não tinha bicicleta…mas a verdade é que sempre fui feliz na tua casa, sempre tive tudo o que precisava. A tua atenção, a tua dedicação, a tua companhia, o teu carinho, o teu amor.

Hoje farias anos e as saudades apertam um pouco mais. Apenas gostaria que fosse possível aproximar-me de ti, abraçar-te, dar-te um beijinho e dizer-te “Feliz aniversário Vó”.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Armas de fogo, o mito da (falsa) segurança

Recentemente, num almoço com uma daquelas pessoas que dá gosto conversar e “discutir” temas e ideias, veio à baila o tema de posse de armas de fogo. O dilema entre os cidadãos poderem e deverem andar armados, sempre escudados no lema “defender os meus”, ou de não poderem. Atenção, falamos de cidadãos normais, que não pretendem uma arma para andar aí a roubar nem a intimidar quem quer que seja.
Eu consigo entender quem diz que se sente mais seguro armado. Quer dizer, entendo que ele pense isso porque ainda não pensou dois segundos sobre o assunto.
Imaginemos uma discussão na rua, tipo no trânsito e avaliemos várias hipóteses. Estão os dois armados. Qual a probabilidade de a coisa dar para o torto? A rondar os 100% diria eu. Está um armado e o outro não. A probabilidade diminui, ainda mais se o que está sem arma não se armar em valentão (atenção, não digo que seja justo). Terceiro cenário, nenhum está armado. Quanto muito envolvem-se ao murro e ao pontapé e sofrem uns arranhões.
Com um exemplo tão simples, começamos logo a descortinar alguma coisa.
Depois toda a gente que quer e pensa ser capaz de ser portador de uma arma, parte do pressuposto mais errado que pode haver. Que é uma pessoa controlada e que nunca vai usar a arma sem ser em legítima defesa. E o que entendemos aqui como legítima defesa? No caso que dei antes, se discuto com alguém, em vez de andarmos à pancada dou-lhe um tiro. Pronto, foi em legítima defesa, certo? Quem é que pode assegurar que tendo uma arma não o faria? Há uma discussão sobre um caminho. Eu acho que o vizinho está a invadir a minha propriedade, dou-lhe um tiro. Foi em legítima defesa da minha propriedade, certo?
Quantas vezes não nos passou já pela cabeça, num determinado momento em relação a certa pessoa isto “Se pudesse dava-lhe um tiro!” Coisa que nunca aconteceu porque não tínhamos tal artefacto à nossa mão…e se tivéssemos?
Depois temos ainda estes casos de crianças que matam crianças sem querer, apesar dos pais garantirem em todos os casos que a arma estava num sítio seguríssimo e que não percebem como tal coisa pôde acontecer.
Para quem acha que tudo se tornaria mais seguro com todos armados, veja-se a selva que são os EUA. Quantos casos de massacres com armas de fogo já vimos pelo televisor? Sim, parece um filme…mas para as famílias que perderam os seus não é. Ainda no outro dia, na manifestação pelo jovem negro que foi morto pela polícia, começa um aos tiros à polícia. Foi alvejado pela polícia e esta ainda é vista como a má da fita.
A meu ver, andar armado pode dar-nos uma falsa sensação de segurança, mas o que faz realmente é expor-nos muito mais ao perigo. Nem que se façam testes psicotécnicos, nada pode garantir que a pessoa mais calma do mundo não comece por aí aos tiros.

Já tivemos um Oeste selvagem, não queiramos voltar atrás no tempo. As armas a quem de direito, às forças da autoridade. Aos cidadãos, armas zero.

domingo, 9 de agosto de 2015

Nós é que sabemos...

Acerca do tema do alerta da PSP para que as pessoas não publiquem fotos de crianças nas redes sociais, reparei com curiosidade, que a notícia foi bastante divulgada através dos leitores dum blogue, cuja autora era contra este alerta da PSP, dizendo que são muitos os meios e pais a partilhar fotos de crianças, que pedófilos já existiam antes das redes sociais e que uma simples saída de casa era um risco. As pessoas só não se aperceberam que, na maioria das vezes, apenas partilharam a notícia e não o pensamento da autora, como era pretendido.
Antes demais, cada um faz o que quer e assume as possíveis consequências dos seus actos. Quer neste caso, quer em qualquer situação do dia-a-dia.

O que acho importante de salientar é que isto é um apelo das forças de segurança. Já sei que, por norma, todos nós achamos que "nós é que sabemos", demonstrando assim todo o nosso direito de reflectirmos e contrariarmos todas as recomendações profissionais, seja da policia, do médico ou enfermeiro, do psicólogo, do professor etc. Eles são profissionais, lidam com situações quem nem sequer nos passam pela cabeça, mas pronto, nós é que sabemos.
Se a PSP faz este alerta, não acredito que seja só porque sim, mas por toda a experiência que têm com estes casos...que, sendo assim, devem ser reais!
Não critico quem põe fotos, apenas acho que deve haver uma séria reflexão sobre o tema e não se deve relevar um alerta destes. Os outros fazerem, para mim nunca foi uma justificação para eu fazer igual. 
A questão aqui não é o de escondermos os filhos em casa, porque riscos sempre houve...agora há mais. E há mais porque nós os potenciamos. Não precisamos de os esconder, mas também não temos dos expor.
Somos todos muito atentos aos filhos, mas a verdade é que seguem a entrar nos hospitais miúdos com queimaduras, "rachados"etc...coisas que às tantas acontecem quando os pais estão a publicar as fotos no face! Coisas que acontecem por muito avisados e atentos que estejamos.
smile emoticCoisas que acontecem a qualquer um, apesar de todos estarmos mais do que avisados e super atentos.
O problema aqui, na maioria dos casos, é o nosso ego. O sabermos que uma foto com uma criança vai ter mais atenção, likes, comentários elogiosos etc. Ou se não for por isso, pelo simples facto de estarmos a mostrar (no caso dos pais) o nosso rebento, que diga-se de passagem, é o mais lindo do mundo! Não o digo que o façam conscientemente com este propósito, mas inconscientemente é isso que os leva a fazer isto. Só assim concebo que uma geração de pais super protectores consiga minimizar um alerta deste género. Mas é apenas a minhas opinião.
E termino então com a pergunta:
Que interesse tem a criança (e vantagens) em ver a sua foto publicada numa rede social?

terça-feira, 21 de julho de 2015

E agora, meus caros?

http://www.rtp.pt/noticias/pais/tribunal-central-administrativo-confirma-anulacao-de-eleicoes-da-ordem-dos-enfermeiros_n845369

Antes de mais, quero dizer que algumas coisas que se apontam a esta direcção, são problemas que já vinham detrás. Uma delas, o pagamento de cotas, alvo de um recente regulamento, que mais não é do que atirar areia para os olhos das pessoas. (http://www.ordemenfermeiros.pt/legislacao/Documents/LegislacaoOE/Regulamento_isencao_de_pagamento_de_quotas.pdf )
Não indo ao pormenor de analisar pontos ridículos, aos quais tão bem estamos habituados devido à sua proliferação noutras áreas políticas, ressalvo um em que ficam isentos “Enfermeiros recém inscritos, recém licenciados e desempregados que se encontrem à procura de primeiro emprego e com inscrição no Instituto de Emprego e Formação Profissional”.
Em primeiro lugar, para mim, desempregado é desempregado. Por isso a isenção devia de ser para todos os enfermeiros desempregados…na área. Porque posso ter trabalho sem ser em Enfermagem e estou obrigado a pagar cotas que não devia de pagar. Em segundo lugar, sabem os senhores da OE, que se um enfermeiro é chamado pelo Instituto de Emprego por uma oferta de trabalho, imaginemos dessas de 3,96 euros/hora, e que a rejeita, esse colega é excluído do Instituto de Emprego? Ou seja, estão a favorecer algo que deviam de combater.
De resto, creio que isto é um dos males menores da situação actual da OE. Uma Instituição que tem uma direcção ilegal durante mais de 3 anos. Claro, isto num país que permite que uma coisa destas se arraste 3 anos, com as consequências que daí advêm. Que acontece agora com todas as decisões tomadas? Com todas as representações televisivas (mal) feitas? Já ouvi dizer que as mesmas pessoas estão a preparar-se para as próximas eleicções. Como se costuma dizer “À mulher de César não basta ser séria, tem que o parecer!” E da seriedade de certas pessoas já duvido há muito! Vou esperar atentamente os próximos capítulos desta novela.

A meu ver, quem tome conta da direcção da OE não pode, de modo algum, perder o sentido de “Ser Enfermeiro”. Para políticos já basta os que estão na assembleia.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Pela primeira vez desde há 31 anos, festejei os anos em 2 dias.
Houve um pré-aniversário em que crianças maiores e crianças mais pequenas passaram uma tarde memorável e que só dá vontade que chegue o próximo ano para repetir…mas pode chegar com calma! Porque, sem dúvida nenhuma, o melhor do mundo são as crianças, estar com eles todos foi uma prenda antecipada. Não foi trabalho, foi diversão.
Houve cantar os parabéns há hora exacta de ter nascido, proporcionado pelas crianças maiores.
Houve festa maior durante o dia, junto a parte da família, um daqueles momentos que não os troco por nada. Matar saudades que, por vários motivos, aumentam. Estar com a minha princesa, cada vez mais bonita e que me faz ter sempre a caçadeira preparada!
Houve todas as mensagens recebidas ao longo do dia, das mais variadas formas.
E a cereja em cima do bolo, o meu pequeno traquinas a cantar-me os parabéns, sem desafinar!

Tudo isto fez-me ter um aniversário diferente, preenchido, cheio de calor humano, do carinho de família e amigos. A todos, o meu mais sincero obrigado!




quinta-feira, 21 de maio de 2015

O mundo ao contrário...

Como todos sabem sou adepto do Benfica. Quem me conhece melhor, sabe que gosto de futebol. Não sou capaz de estar uma tarde inteira a ver vários jogos de futebol. Vejo os do Benfica e selecção e, quando posso, assisto aos do Real Madrid e do Chelsea, por questões óbvias. Fora isto, poderei deitar o olho a um grande jogo. Mas questão, questão, faço em ver os do Benfica.
Sou do Benfica porque sim, nunca tive um pai fanático por nenhum clube e que me impusesse a minha cor clubística…apesar de acabar por termos a mesma cor, ele do Braga, eu do Benfica. E o que sinto hoje pelo Benfica e o gosto que tenho pelo futebol, agradeço-o ao meu pai, que aos 9 anos levou-me a ver pela 1ª vez um jogo do Benfica a Guimarães (que irresponsabilidade!). Bancada central, nada de adeptos separados. Civismo absoluto. Naquela altura acho que se vendiam mais bilhetes que os lugares que havia, daí ter passado o jogo todo a pé, algo que não me incomodou nada de nada. Ganhou o Benfica, 2 a 1, recordo um golo do Ailton de cabeça de fora da área e de sair do estádio, calmamente, e de termos parado num daqueles vendedores de artigos do clube, onde o meu pai me comprou a minha 1ª e única bandeira do Benfica.
Depois disto, fui ainda ver alguns jogos a Braga. Um quarto do estádio gritava golo d Braga e todo o estádio gritava golo do Benfica. E voltei a ir a algum jogo em Guimarães. Foi com esta normalidade que aprendi a gostar de futebol e do Benfica.
De repente, num jogo em Guimarães, à saída e sem que nada o fizesse prever, caíram pedras sobre nós. O meu pai nunca mais foi comigo a um jogo lá. Algo que na altura me fez confusão, porque raio não posso ir ver o meu Benfica, quando ele vem jogar tão perto de minha casa? Mais tarde uns anos, já no pós-Euro 2004, mais do mesmo. Pedras a caírem à minha frente. Que mal tinha feito eu? Os adeptos do Vitória colocados, como um exército, no monte em frente à saída do estádio a arremessá-las. O mesmo se passou em Braga, ainda no 1º de Maio, num final de jogo que houve pedras a voar na nossa direcção. E ultimamente mais do mesmo tem acontecido.
Engraçado como duas cidades rivais, que dizem ser muito diferentes, se tornaram tão iguais devido ao futebol.
Posto isto, chego ao que interessa. O senhor que apanhou do polícia em Guimarães podia ser o meu pai. Que se visse algum polícia daquela vez que nos mandaram pedras também era capaz de ter reclamado. Por isso muito, mas mesmo muito, custa-me entender o discurso “culpa teve o pai em levar o miúdo ao jogo!” Isto só é possível em alguém com as ideias de cidadania e liberdade completamente viradas do avesso. O pai apenas fez o que o meu pai em tempos fez por mim. Nem um nem outro são inconscientes nem criminosos…nem muito menos culpados do que seja.
Culpas? Têm os dirigentes e esses não apanham bastonadas. Como merecia o vice do Vitória na semana antes do jogo, ao atiçar os adeptos do próprio clube ao dizer, tal lobo em pele de cordeiro, “Não festejem em Guimarães, vão lá para o Marquês!” Culpas? Têm as organizações dos jogos em deixar que se misturem adeptos normais e claques. Como já me aconteceu e aconteceu também neste jogo. Há gente nas claques que não está lá pelo futebol, nem lhes interessa que a pessoa ao lado seja da mesma equipa. São um perigo para todos, então como é possível deixá-los, sem controlo policial, com o resto dos adeptos?

É verdade, eu deixei de ir ver jogos a Guimarães e Braga. Pelo que pago, vou a Lisboa ver os jogos à Luz, em segurança e conforto. Mas não consigo criticar um pai que leva um filho a um jogo, seja ele qual for, porque pensa que está num país livre. O normal para mim é poder ir ver qualquer espectáculo, as anormalidades ficam com os anormais. Quem o critica, pensa da mesma maneira daqueles que atiram as pedras e destroem tudo por onde passam.

terça-feira, 12 de maio de 2015

A greve da TAP

Muito se tem falado sobre a greve da TAP, sobre a sua justiça e, principalmente, pela sua injustiça. (http://sol.pt/noticia/391660)
Antes de mais, a greve é um direito de todos os trabalhadores. Sejam pilotos, médicos, enfermeiros, carteiros, professores, empregados têxteis etc. Claro que toda a gente sabe, sem paninhos quentes, que greves no sector privado são muito improváveis, pois, de modo camuflado, há sempre “ameaças” no ar. O que está mal. Direito devia ser igual, seja privado ou público.
Posto isto, não entendo o alarido pelos incómodos provocados pela greve dos pilotos. Eu não sei os motivos, atenção. Sei que apenas 30% dos pilotos fizeram greve. Ok, pode suscitar a pergunta “Terão 30% razão e os outros 70% estarão errados?” Também se pode criticar e eu critico a imbecilidade de um gabarola dizer “provocamos um prejuízo à empresa de 30 milhões de euros”, quando muitas empresas, por muito menos que isso fechavam as portas.
Agora, não critico a greve nem os transtornos que trouxe. Sim, não me afectou, se me afectasse às tantas mandava os pilotos dar uma volta a certo sítio, mas a frio, apenas posso dizer que estão no seu direito.
As greves servem para os trabalhadores mostrarem insatisfação pelas condições laborais e para mostrarem, a quem de direito, que o papel que desempenham é importante no seio da empresa. Que sentido faria fazer greve se assim não fosse?
Eu não posso ser hipócrita e criticar os pilotos, quando há muito que defendo uma greve total da minha classe, que tem vindo a ser massacrada ano após ano. Infelizmente isso não é possível e os transtornos não se fazem sentir, pois a questão dos serviços mínimos, ficando a cargo da consciência de cada um, é de uma completa subjectividade. Ou seja, mesmo havendo menos gente nos serviços, em vez de assegurarem os cuidados mínimos, matam-se e esfolam-se para que o dia corra o mais normal possível…e pergunto eu, para quê então fazer greve? Será que queremos mostrar que fazemos falta ou que com menos gente se faz o mesmo? Que até pode ser mal feito, mas aparece feito e é o que conta para as estatísticas.
E como não posso ser eu hipócrita não pode ser muita gente. Ou todos os que os criticam nunca fizeram greve com transtornos para os demais? Os professores fizeram greve a exames e sempre os defendi. Médicos fazem greve e consultas que pessoas esperam meses por elas são adiadas por tempo indeterminado. Os homens do lixo fazem greve e as cidades ficam a cheirar pior.

Como eu costumo dizer, com o mal dos outros posso eu bem. Para terminar deixo a pergunta, nota-se egoísmo maior da parte dos pilotos ou da parte de quem os critica?