Há cerca de 20 anos fui padrinho
pela primeira vez. Desde essa altura, uma criança ainda, suportei-me no exemplo
das duas pessoas que, para mim, melhor desempenharam esse papel, o meu Padrinho
e a minha Madrinha. Não fui eu que os escolhi, mas se tivesse a possibilidade
do fazer, seriam eles e mais ninguém os elegidos.
Hoje faz anos o meu Padrinho,
alguém que, apesar de não morar perto, sempre soube estar presente, sempre foi
uma das pessoas em quem mais confiança senti e sinto. Sem dúvida que foi uma
das pessoas que ajudaram a que me tornasse quem sou hoje.
Padrinho, desejo-te um feliz
aniversário e que possas ter aqueles de quem mais gostas junto a ti.
Este ano que agora finda foi um ano
de grandes mudanças, todas elas feitas com ponderação, mas com a convicção
absoluta de que esse era o caminho.
A maior delas foi o regresso a
casa, algo que era desejado desde aquele dia 13 de Julho de 2008, dia em que
comecei a minha vida noutro país. Um desejo que foi acalmando com o passar dos
anos, um sonho que estava cada vez mais reduzido a isso mesmo, um sonho. Mas
podiam perguntar-me se estava a gostar ou se estava bem e a minha resposta
sincera seria um “sim”.
Um mês após o retorno apercebi-me
de uma coisa que andava a negar, mesmo que inconscientemente, há muito tempo.
Estava perdido, mesmo sabendo onde estava. Estava mal, mesmo pensando estar
bem. Estava conformado com uma vida que não era a que queria, por muito que
pensasse que era.
Estive quase sete anos e meio com
aquela gente, gente que durante sete anos foram a minha gente, colegas de
trabalho, colegas de casa, amigos de bons momentos. E isso fica, daí as
lágrimas derramadas e a voz embargada ao sair daquela casa no meu último dia de
trabalho…sem ninguém ver, sem ninguém ouvir, a tentar acalmar todos os
pensamentos que me iam na cabeça. Felicidade absoluta por ir em busca do meu
sonho, tristeza por abandonar aquele que foi o meu lugar.
E ao voltar, simplesmente,
reencontrei-me. Primeiro comigo, depois com os meus…voltei a encontrar o meu
caminho. Por isso, hoje vejo as coisas de maneira diferente. Os problemas que
não são problemas são relativizados. Procuro ver o melhor de cada sentimento,
de cada estado, de cada situação, de cada pessoa. Descobri uma calma e uma
paciência que não pensei ter. Descobri uma determinação, uma certeza do que
quero e não quero, ainda maior do que tinha. Descobri que não posso ter medo de
sonhar e ir atrás dos sonhos. Em três meses muita coisa aconteceu. Todas elas
boas.
2015 foi um ano muito bom, que de
certeza ficará sempre gravado nas minhas memórias, pelo que disse e por mais
algumas coisas. Vem aí um novo ano, não sei o que me espera. Simplesmente,
tenho a esperança e vontade de continuar a tornar os meus sonhos realidade e de
criar novos sonhos. Dando tudo de mim no mínimo
que faça, fazendo tudo com
paixão, pois só assim as coisas têm sentido para mim.
A todos os que me acompanham no
dia-a-dia, a todos os que, mesmo longe, estão bem cá dentro, a todos os que
fazem, de alguma maneira, parte da minha vida, os meus votos de um Feliz Ano de
2016.
Começo por referir que o Natal dos Hospitais
é diferente do Natal nos Hospitais. Um aparenta festa, música e alegria, o
outro a realidade. Por muito que se diga, por muito que possamos fazer, ninguém
gosta de passar esta noite num hospital.
Pode haver até doentes que ao
passar o Natal num hospital têm um Natal um pouco melhor do que costumam ter
(pessoas sem família ou de família destruturada, sem condições em casa ou sem
tecto), mas nunca será uma noite de alegria.
Por muito que os profissionais
tentem amenizar a tristeza que se vê nos olhos de quem cuidam, permanece sempre
uma sensação de vazio. Neles e em nós. Ver doentes que manifestam o desejo de
ir a casa e não podem, ver familiares que gostavam de ter os seus consigo e não
podem. Tudo isto contraria o espírito que reina por estes dias. Na rua, em
casa, nas redes sociais e, em alguns casos, dentro de nós mesmos.
Claro que sei o difícil que é para
maioria dos profissionais abdicarem desta noite que devia ser com os seus, para
se dedicarem a outros. Se há noite que me custa trabalhar é a da véspera de
Natal, mas quando me toca, olho para tudo o que tenho e para o que vou perder e
olho para o que aqueles de quem ajudo a cuidar têm e vão perder. Apercebo-me
que queixar-me é contrariar tudo o que defendo nesta época...e porque não, o
que defendo para todo o ano.
Estamos em plena época natalícia, a
altura do ano que mais significado tem para mim, em que mais sinto necessidade
de estar rodeado dos meus.
Este ano vai ser um Natal especial.
Vou estar realmente em casa, a prenda que levava anos a pedir e este ano
finalmente me foi concedida.
Sem saudade, sem pressas, vou poder
desfrutar novamente dum Natal completo com a minha gente, e quando falo e
gente, em primeiro lugar falo da minha família, as pessoas que sempre me deram
tudo desde que nasci, a quem devo a pessoa que sou hoje. De seguida, falo dos
meus amigos, daqueles que sabem muito bem o que significa esta palavra para
mim. Aqui lamento não os ter todos perto, mas foram, são e serão parte de mim.
Serve isto, para desejar a todos
eles um Feliz Natal, mas não só a eles.
No me puedo olvidar de todas las personas que
durante años han sido “mi familia”, que hicieron con que Pontevedra haya pasado a ser”mi
ciudad”. A todas mis antiguas compañeras de trabajo, les deseo una Feliz
Navidad.
Não esqueço aquelas grandes amigas
e grandes amigos que estão longe, mas estão sempre perto do coração. Para eles
e para as suas famílias, um Feliz Natal.
E por fim, desejo um Feliz Natal a
todas as pessoas que conheci recentemente, aos meus novos colegas de trabalho
que me receberam de braços abertos, e a todas as outras que fizeram e fazem
este regresso valer a pena.
A todos vocês, que o calor do Natal
encha a vossa casa.
Há despedidas que custam, outras
doem…outras ficam gravadas eternamente nas nossas memórias. Os próximos dois
dias recordam-me duas despedidas, daquelas que nunca deveriam de acontecer, mas
que fazem parte da vida.
Daqui a umas horas, faz 12 anos,
dizia adeus à minha avó, acordado dum sono intranquilo, prenúncio do que já se
avizinhava. Tardei em acordar das palavras que o meu pai me tinha dito. E neste
momento, homem já feito, saudoso, recordo os momentos da infância em que a
minha avó era um porto de abrigo, em que o amor e carinho dela faziam-me sentir
o neto mais afortunado do mundo…os meus primos e primas dirão o mesmo. Lamento
não tê-la abraçado mais vezes, não ter-lhe dito todas estas palavras ainda em
vida, que era o que merecia.
E amanhã, faz também 4 anos que,
acabado de chegar do turno da noite, preparando-me para descansar, recebi
aquela chamada a dizer que o meu avô tinha partido. Lembro-me como
se fosse
hoje, de me ter sentado, de ficar com o pensamento suspenso, tardando em saber
se era verdade ou se estaria a dormir, talvez por não me ter podido despedir
dele. Hoje sinto saudades das inúmeras histórias que me contava, ele sempre
sentado no sofá principal, eu sempre atento, maravilhado pelas façanhas dele em
terras longínquas. Apesar de não o demonstrar muito, homem de vida dura, sei que
ele gostava e tinha orgulho dos netos. E eu nele, pois, pelo exemplo, passou-me
valores que rareiam hoje em dia.
Sou o que sou, em grande parte a
estas duas pessoas. Passem os anos que passem, mesmo que as suas imagens se desvaneçam
da minha memória, mesmo que as fotografias se desbotem, o legado que eles me
deixaram seguirá vivo dentro de mim. E eles seguirão vivos em mim e nas minhas
acções. É o mínimo que posso fazer para homenagear quem foi tanto para mim e me
deu o que o dinheiro não pode comprar.
Apesar de ainda me considerar um
jovem, estou a cumprir as bodas de prata numa das relações mais importantes da
minha vida. Seja em que situação for, hoje em dia, não é muito fácil alguém
manter-se 25 anos nalguma coisa. É preciso dedicar muitas horas, ter sentido de
lealdade e de compromisso, acima de tudo, ter aquilo que muitas vezes nos sai
da boca para fora de forma demasiado fácil…amor ao que fazemos.
Faz agora 25 anos que eu, então com 7 anos, iniciei o meu caminho no Karate. No karate e na AKF, nesta que se
tornou a minha segunda casa, a minha segunda família. Desde esse dia até hoje,
foram muitas as pessoas responsáveis por este amor ter crescido, devagar
devagarinho, mas ao ponto de poder dizer que é para a vida. Todos os meus Instrutores/Senseis;
todos os colegas que fui tendo ao longo do tempo, principalmente aqueles que
seguem a caminhar ao meu lado, aos quais chamo de Irmãos; todos os meus
adversários dentro do tatami; à minha Sensei, um exemplo desde sempre; aos meus
Pais, que souberam sê-lo e escolher o que era melhor para mim, quando pensei em
desistir…mas há uma pessoa que me incutiu verdadeiramente o amor pelo Karate e
foi/é a minha grande influência…o meu Mestre.
Sou um privilegiado por ter
crescido, enquanto homem e karateca, tendo como mentor o Sensei Marinho, a
pessoa mais apaixonada por esta arte que eu conheço. Pouca gente imagina a quantidade
de pessoas que passaram pelas “mãos” dele. Desde que eu entrei perdi a conta a
toda a gente que partilhou treino comigo. E há muitas pessoas que passaram por
esta casa antes disso. Perdi rasto a muitos, de outros vou tendo notícias. No
geral, posso dizer que a maioria se tornou naquilo que devia ser a nossa
primeira obrigação enquanto Instrutores/Senseis…pessoas de bem, pessoas
formadas (não tem que ser com estudos), pessoas com o seu lugar na sociedade,
com valores e princípios. E não tenho a mínima dúvida que terem passado nesta
casa contribuiu de alguma maneira para isso.
Tudo isto numa cidade pequena como
Fafe. O papel social da AKF, desde os seus inícios até agora, não pode ser
sobrevalorizado. E tendo sempre à cabeça o Sensei Marinho. Uma pessoa que,
apesar de toda a obra feita, demonstra uma das grandes virtudes que o Karate
deve fomentar nos seus praticantes…a humildade. Nunca o vi em busca dos
“holofotes”. Pelo contrário, deu sempre esse espaço para os seus alunos.
Sem querer mostrar sobranceria, acho
que esta pequena cidade deve algo a este grande Homem. Não sei o quê, nem como,
mas deve.
Por isso, quando estão a fazer 25
anos que me juntei a esta família, dou os meus parabéns ao Mestre e ao Homem
que mantém viva a sua paixão por esta Arte, transmitindo um pouco dessa paixão
para todos aqueles que têm o privilégio de absorver dos seus conhecimentos.