Estava a pensar escrever a minha opinião sobre o
study case do escândalo CR7 ou das praxes criminosas, até que ontem fui
assistir a um filme.
Como fã de cinema, ando mais ou menos por dentro das
estreias ou dos grandes filmes que estão a chegar. Não foi o caso de ontem, um
filme desconhecido, que nunca ouvira falar, lançado em Fevereiro de 2017 e, não
sei porquê, parecia perdido (ou destinado?) ao esquecimento.
Surpresa das surpresas, saltou para o meu top 3 de
filmes preferidos, ficando com o último lugar do pódio. Destronar “A Vida é
Bela” ou “Dois é família” não é coisa fácil.
O que têm estes filmes em comum? Todos eles abordam
situações dramáticas, mas com a qualidade que eu mais admiro no mundo, o humor.
O “The Healer” fala do dom de curar pessoas, sob a
metáfora dum “curandeiro”. Que tem este filme de tão especial para me tocar
desta maneira?
Por muito desesperante que seja uma situação, por
muito que não se veja a luz ao fundo do túnel, cabe-nos a nós, simples cidadãos,
transformar o mundo de quem passa por uma situação dessas.
Associamos o termo “curar” à condição de alguém ficar
são, normalmente de algum mal físico. Porém, às vezes isso não é possível. Baixamos
então os braços e deixamos simplesmente as coisas seguirem o seu rumo?
Curar a alma é, quem sabe, a tarefa mais difícil e
mais importante quando a morte é algo cada vez mais palpável. Seja para uma
possível recuperação, seja para um fim digno.
Ontem, ao assistir ao filme, sorri, daqueles sorrisos
carregados de compreensão, às vezes acompanhados com uma lágrima (não foi o
caso vá), recordando-me de algumas pessoas que tive o privilégio de conhecer e
acompanhar enquanto enfermeiro. Pessoas de quem cuidei, pessoas que fiz rir e
sorrir, pessoas que muito me ensinaram, sendo que a maioria já não se encontra
entre nós. Anónimos de nome, mas cujas caras para sempre lembrarei. Não as
consegui curar, foram elas que me foram curando.
Aconselho vivamente o filme, podem sair do cinema a
sorrir ou a chorar, mas indubitavelmente mais enriquecidos enquanto pessoas.
Tudo o que eu sou devo à minha família,
principalmente aos meus pais, que sempre tentaram orientar-me pelos caminhos
que sentiam ser os melhores para mim. Foi assim que, nos finais de 1991,
tiveram a sabedoria e a sorte de me levar a experimentar o Karate e a entrar na
AKFAFE…ou talvez fosse apenas algo que tinha mesmo que ser. E mais do que me
permitirem iniciar esta arte, foi graças ao apoio que sempre senti que fui
permanecendo nela, mesmo quando o cansaço e as dúvidas apareceram.
Posso dizer, talvez sem exagerar, que passa do milhar
o número de pessoas com quem partilhei treino a nível local, e são já uns
milhares as que conheci durante toda a minha prática.
Inicialmente com o objetivo de ser uma atividade
desportiva, descobri no Karate uma Arte Marcial cujo maior valor são os valores
que transmite. Com toda a certeza, esses foram a minha maior medalha em toda a
minha prática, que me fazem ter um sentimento de dívida eterna com esta arte.
Recebi e continuo a receber tanto, que a minha ilusão aumenta a cada ano que
passa, ainda mais do que no dia em que a iniciei.
Hoje não treino tendo em vista a conquista de pódios.
Treino apenas para superar-me a mim mesmo e para conseguir ser exemplo para os
mais novos, tentando ser veículo de transmissão dos ensinamentos que me foram passados estes anos todos e continuam a ser passados. Desafio muito maior do que a busca de medalhas.
Como sabe bem ver a energia contagiante de quem nos chega, sem nada saber, mas com enorme vontade de aprender. Ver o crescimento brutal, a todos os níveis, das nossas crianças, sempre na esperança que venham a ser pessoas de bem e que acrescentem algo de bom à sociedade. Esse é o nosso grande trabalho. Com a sociedade que temos, com uma falta gritante de
valores, em que tudo é competição, em que tudo é inveja, em que tudo se quer de
bandeja, creio que o Karate poderá dar um pequeno contributo para um mundo
melhor.
O caminho, neste momento, está a ser feito ainda de coração
pesado. O Sensei Marinho será sempre o meu exemplo, a pessoa em quem me
inspirarei para inspirar os outros. Com ele cresci a aprender que antes de
merecer o que seja, tinha que fazer algo por isso. Aprendi a não exigir nada, a
saber esperar o meu tempo, a confiar no meu trabalho e a saber que o seu
reconhecimento vem com o tempo, sem necessidade de me por em bicos de pés ou de
bradar aos céus. Aprendi que a confiança se ganha com lealdade, com
honestidade, com atitudes. E isso não acontece em poucos anos.
Mas o caminho faz-se caminhando, lado a lado com pessoas
de máxima confiança (aquelas que talvez melhor me conhecem), com enorme vontade
e com um sentimento de união que se consegue apenas no seio de uma família.
Hoy vuelvo
a arriesgarme a escribir de nuevo en castellano, después de casi tres años sin
hacerlo.
Hace días
regresé a la ciudad que ,con el pasar de los años, se ha tornado una segunda
casa. Es la segunda vez que regreso a Pontevedra como turista. Y la verdad es
que los ojos con que miran los turistas los sitios son distintos de los ojos de
las personas que los habitan.
Una
persona me ha comentado que las ciudades son como las parejas, que nos
acostumbramos a sus calidades, y estas se tornan invisibles a nuestros ojos.
Pero están allá.
Mi
relación con Pontevedra empezó de la misma manera con que me relaciono con los
locales donde no quería estar. Fue difícil, no me gustó, solo veía lo malo, o
mejor…no conseguía ver lo mejor que la ciudad tenia para ofrecerme.
Despacito,
descubrí encantos escondidos, que estaban delante de mí. Empiezo por lo que más
me gusta…las tapas. En Portugal se come muy, muy bien, pero allá, un modo
distinto de comidas, también lo conseguimos hacer. Echo de menos tapear en una
mesa llena de amigos, en una terraza en pleno verano. Las tapas en Portugal no
saben a lo mismo que en España, lo siento.
Sigo para
el centro histórico. Tal y cual como la ciudad, no es muy grande, pero muy
acogedor, con todo muy cerca. Por las noches de viernes y sábados se llena de
vida y colores, con los bares típicos de puerta en puerta.
Las
fiestas…debo admitir que el pueblo gallego se divierte como nadie. Las fiestas
de la ciudad, que se prolongan por más de una semana. La noche de los piratas
entre otras. Y la principal, la Feria Franca, en que toda la gente vuelve a los
tiempos medievales, de los caballeros, duques, damas, princesas y cruzados, con
trajes de hacer envidia.
Hablo de
seguida de las playas, las que serían las mejores del mundo si el tiempo fuera
más estable y el agua más calentita. Locales escondidos del turismo voraz,
salvajes, puntos de unión entre los montes y el mar. Aguas tranquilas, teñidas
de un azul cristalino, que nos hacen acordar el paraíso. Y todo esto aquí tan
cerca.
Termino
con lo más importante que tenemos en nuestras vidas, independientemente de
donde estemos…las personas. Si me enamoré de Pontevedra, lo debo a toda la
gente que conocí, con quien viví, con quien trabajé o con quien fui de fiesta.
Los abrazos y las sonrisas con que soy recibido, lo atropello de preguntas
sobre cómo me va la vida (no por cotillear) o el sincero “vuelves?” me hacen
ver que dejé mi huella en el corazón de las personas…así como dejaron en el mío.
Como dije
a mi jefa, la llamada que le hice hace tres años a decirle que me marchaba ha sido la más difícil
que tuve que hacer en mi vida. La voz embargada, el temblor de las manos, el
frio en la barriga eran señal que me preparaba para marchar con toda la ilusión
del mundo, pero con un peso en el corazón por toda la gente, por todos los
sitios, por todas las experiencias que me hicieron crecer en Pontevedra.
Já muito escrevi sobre nós, sobre ti, mas estar
contigo relembra-me sempre o porquê de o fazer.
Está quase a fazer 16 anos desde que nos conhecemos e
pode-se dizer que foi uma amizade à primeira vista. Como qualquer outra, ela
teve que ser construída, pedaço a pedaço até chegar ao que é hoje em dia...deixando de ser como qualquer outra.
Vivemos intensamente (intensidade à nossa maneira) os
ditos melhores anos da nossa vida, apesar de eu acreditar que o melhor está
sempre por vir. Mas algo de verdade tem essa ideia, pois Viana será sempre a
origem das nossas raízes.
Fizemo-nos à vida, vida essa que nos levou para longe
um do outro. Porém, cada reencontro é sentido com a cumplicidade de quem se vê
todos os dias e com a saudade que demasiados quilómetros acalentam.
A tua amizade é uma terapia para mim (não vale cobrar
consulta), das fortes amizades que tenho foi aquela que mais me permitiu
crescer no que ao ser amigo diz respeito. Começou em Viana, deambula entre
Barcelona, Pontevedra, Venade, Fafe…em qualquer lugar que nos permita largas
conversas e altas gargalhadas. E como sorrio ao saber-te feliz...e mais careca!
O segredo de tal afinidade…será só um? Começo pelo
que me parece mais importante, o respeito, enorme respeito, que sempre tivemos
pelas nossas divergências. Só assim, a tua opinião teve o peso que teve (e tem)
em algumas decisões que tomei, mesmo quando iam contra o meu modo de pensar.
Depois acho que temos uma amizade especial devido à
absurda simplicidade que ela acarreta. Apesar dos anos terem passado, de nos
termos tornado adultos, ainda vejo em nós muito dos dois miúdos que se
conheceram com 18 anos.
Numa sociedade cada vez mais com os valores ausentes
ou invertidos, és tu, muitas vezes, que me fazes ver que não remo sozinho
contra a maré. E assim, caminhando pela vida, nesta encruzilhada de rumo
incerto, seguimos juntos apesar da distância que nos separa.
Gostaria de começar este texto a dizer que não nasci
para ser enfermeiro. Cresci sem saber ao certo o que queria ser quando fosse
grande…jogador da bola como toda a gente; bombeiro ao ter o quartel a dois
passos de casa, sendo local de visitas e brincadeiras frequentes; Jedi, o
verdadeiro herói das galáxias, quando a fantasia reinava no meu pensamento;
professor de educação física (talvez a profissão mais próxima do meu perfil e
preferências) …e não me lembro de muito mais.
Hoje em dia identifico-me em dois papéis, enfermeiro
e karateca (praticante e instrutor). Enquanto crescia, enquanto sonhava com
muitas coisas, tornei-me sem dar conta em karateca, não apenas dentro do dojo,
mas principalmente fora dele. Não pretendo falar neste texto sobre o que já
falei muito, mas esta Arte foi a base para a formação dos princípios e valores
que defendo, onde aprendi o verdadeiro valor da amizade e do “um por todos e
todos por um”.
Voltando-me agora para o papel de enfermeiro, este começou
a ganhar forma lá pelo 10º ano quando decidi que era o curso que queria, sem
fazer a mínima ideia do que era (é) ser enfermeiro. Uma ideia em bruto,
completamente em bruto.
Passo seguinte, deu-se com a entrada na universidade, onde me tornei vianense de adoção. Foram anos incríveis, onde conheci gente
para a vida, que ainda hoje considero como melhores amigos, pese a distância
que nos separa. Quanto à Enfermagem, não encontrei nestes anos a chama que me
fizesse sentir que estava no meu lugar, naquilo que queria ser. Sem culpar
ninguém, não tive nesse período um exemplo que me fizesse pensar “é este o
enfermeiro que quero ser”.
Até que chegou o quarto e último ano e tive três
orientadoras, todas com perfis diferentes, que me cativaram para ser
enfermeiro. Enf.ª Maria do Carmo, Enf.ª Carla e Enf.ª Isabel (esta, quem sabe,
a pessoa que num mês me marcou mais que qualquer outra nos anos anteriores,
aquela com quem mais cresci).
Termino o curso e estou um ano a percorrer o deserto,
em busca duma oportunidade em qualquer zona do país. Uns “biscates” na área não
chegavam para fazer-me sair do desânimo que crescia em mim. Pelo meio, uma
proposta que tive a gentileza de recusar, por serem dessas que nos fazem corar
de vergonha.
Até que recebi uma chamada do país vizinho, a
perguntarem-me se queria iniciar funções no dia seguinte. Não fui logo nesse
dia, fui uns dias depois. Por lá, pela minha Pontevedra, fiquei sete anos, anos
em que evoluí pessoal e profissionalmente e aprendi, aos poucos, a gostar e
abraçar a profissão que tinha escolhido. Num local de trabalho complicado, em
que muitas vezes não havia mãos a medir, ganhei capacidade de trabalho e sacrifício.
Com humildade, creio ter sabido absorver as aprendizagens que as minhas colegas
mais velhas me proporcionaram. E com muitas outras, algumas a iniciar este
caminho como eu, crescemos juntos, com apoio constante, limpando as “lágrimas”
nos momentos difíceis, sorrindo nas nossas muitas alegrias.
Aquela casa, aquela gente, sempre as levarei no meu
coração. Se sou enfermeiro, foi pela oportunidade que me deram, e acredito ter
pago a confiança com a minha dedicação durante os anos em que la estive.
Sete longos aos depois, quando já poucas esperanças
tinha, abriram-me de novo uma porta, aquela pela qual tanto ansiava. Estava de
regresso a casa.
Nesta nova etapa, mais uma vez, fui recebido de
braços abertos e abri-me ao conhecimento que os novos colegas me tinham para
dar. O Karate ensinou-me que a aprendizagem é para a vida e isso transfiro para
a minha profissão. De todos tenho algo a receber.
Num novo serviço, com um doente tipo bastante
diferente ao que estava habituado, renasci como enfermeiro. Mais do que o
conforto, mais do que o substituir as pessoas no que não podem fazer, mais do que as
técnicas e a medicação, mais do que o cuidar (que tanto gosto e é a base da
Enfermagem), descobri que o prazer maior é o de reabilitar. Foi algo que foi crescendo sem eu
dar conta, mas dá-me um gozo tremendo ver a qualidade de vida que se pode dar
às pessoas, sendo preciso tão pouco…as nossas mãos, a nossa vontade (muitas
vezes superior à dos doentes), o nosso saber e a nossa crença. Esta, talvez, a
mais importante, acreditar que a pessoa vai ficar melhor, mesmo que, ao receber
a pessoa ao nosso cuidado, muitas vezes não saibamos como será isso possível…mas
é.
Fez há uns dias dez anos em que posso dizer “sou
enfermeiro”. Digo-o com orgulho, não em mim, mas em toda a classe a que
pertenço. Por muitas dúvidas que nos assolem, por muito maltratados ou pouco
reconhecidos que sejamos (socialmente…ou politicamente), por muito que a esperança
se desvaneça…acreditem, são especiais.
Não vou aqui falar em todos os sacrifícios que a
nossa profissão acarreta, já falei muitas vezes. Apesar de saber que o meu país
nunca vai ter condições para me pagar o que acho justo, regressei porque quis e
não deixo de ir com um sorriso para o meu trabalho. Pelos meus colegas e pelos
meus doentes. Que me perdoem os meus colegas, mas principalmente por estes. É
por eles e para eles que lá estamos, a maioria dá-nos o valor que merecemos e
são reconhecidos. Embora não me alimente nem pague as contas com isso, a melhor
paga que tenho pelo meu trabalho são os “obrigados” e as lágrimas dos utentes
na hora da alta.
Já fiquei com pele de galinha e já me emocionei com
algumas despedidas. Porque, parafraseando alguém, somos gente que cuida de gente,
e ao tocarmos alguém estamos a deixar que nos toquem.
Não sei o que me reserva o futuro, desejo apenas que
a paixão e amor que sinto pelo que faço se mantenham.
“Mais importante que o destino, é o caminho
percorrido para lá chegar!”
Talvez seja esta a frase que melhor resume a
empreitada que eu e mais vinte e nove colegas iniciamos em Outubro, quando nos
candidatamos a ser Enfermeiros Especialistas em Reabilitação.
Passados dez meses de um processo de aprendizagem
intensivo, duro e de sacrifícios, estou longe de me sentir Especialista. Nunca
considerei que cursos ou cartões dessem direito às designações neles contidos.
Acima de tudo, é o dia-a-dia, é a experiência, é o pôr em prática os conhecimentos
que nos pode levar ao merecimento de tal designação.
Por isso não me considero especialista, sinto-me,
isso sim e ainda antes de iniciar este percurso, enfermeiro de reabilitação.
Foi o sentir que o que fazia para ajudar os meus doentes não era suficiente,
que podia fazer mais e melhor, que me fez entrar neste desafio.
Sempre o disse e acredito piamente nisso, só
evoluímos, seja pessoalmente ou profissionalmente, se sairmos da nossa zona de
conforto. O que vem fácil, vai fácil ou não tem valor.
E o que destaco destes meses todos, são as pessoas
que conheci, desde os meus colegas, aos professores e orientadores.
A primeira palavra, como não podia deixar de ser, é
para vocês meus caros colegas. Companheiros de sacrifícios, de estudo, de
trabalhos, de angústias…mas também de risos e sorrisos, de solidariedade, de
alegria. Apesar de ter sido voluntário involuntariamente, ser o vosso delegado
de turma foi um privilégio. Porque é que digo isto? Tentei conhecer todos, ser
um elo de ligação e de apoio para o que precisassem. Independentemente de haver
relações mais fortes que outras, de todos levo algo, cresci com cada um de
vocês. Parabéns e obrigado.
Sigo para os Professores, destacando a Professora Esperança, o Professor
Fernando e a Professora Manuela, que nos orientaram de
mais perto, mas nunca esquecendo todos os que nos deram o seu contributo.
Pessoas de com grande saber acumulado, mas acessíveis e disponíveis para nos
ajudarem.
As próximas palavras vão para todos os meus
orientadores de estágio, responsáveis máximos pela minha evolução, que pelo
exemplo foram e são modelos que pretendo seguir no meu percurso profissional.
Enf. Nuno e Enf.ª Fernanda (Gaia); Enf. Jorge
(Braga); Enf.ª Graça e Enf.ª Ana (Cabeceiras); Enf. Vasco e Enf. Aníbal (Póvoa
de Varzim)…estes sim, considero Enfermeiros Especialistas em Reabilitação.
Foram fonte de aprendizagem, de reflexão, de conselhos, deram-me motivação para
exercer ainda com mais vontade a nossa nobre profissão, encorajando-me a
assumir sem receio os desafios que a minha vida profissional me puser à frente.
A minha enorme gratidão para todos.
Não esqueço ainda todos os colegas que, apesar de não
estarem diretamente na minha orientação, colaboraram nela e fizeram-me sentir
membro integrante das equipas por onde passei.
Estas foram as pessoas que acompanharam de perto todo
o meu percurso formativo, mas houve outras que não podem ficar sem uma
referência.
Os primeiros, teriam que ser sempre eles, os meus
pais. Por me apoiarem desde o primeiro momento, pela preocupação e interesse
constante, pela compreensão nos momentos de maior impaciência resultantes das
diminutas horas de sono, por tudo.
Palavra maior também para todos os meus colegas do
trabalho, pela sobrecarga que a minha maior ausência do serviço provocou. O que
me levou a dar tudo foi também o não querer que o vosso esforço fosse em vão.
Se cheguei a bom porto, a vocês o devo. Isso nunca esquecerei.
Aos meus amigos, a esses, além do obrigado pelo apoio
incondicional, as minhas desculpas. Pelas ausências ou pelas presenças com a
cabeça noutro lugar.
Sónia Marinho e Márcio Carvalho, este meu percurso
coincidiu com a nossa época mais difícil. Ter o apoio dos dois foi fundamental
para poder desligar-me o possível do Karate quando assim me foi exigido.
Sabendo que tudo correria dentro da normalidade. Sempre AKFAFE.
Gratidão é palavra a que dou muita importância. Devido a ela estou em dívida com todos vocês.
Pode-se pensar que isto é o fim…mas não o sinto
assim. Para mim é apenas o começo de uma nova fase. Mudei, mudei a minha
maneira de ser, estar e ver a enfermagem. Mais importante que ser especialista,
é ser especial, será sempre esse o meu repto em tudo o que faça.
E não tenho dúvidas, as pessoas deste grupo têm tudo
para serem especiais…sejam felizes no que fazem e não se esqueçam, mais
importante que dar anos à vida…é dar vida aos anos.
Um sincero obrigado a todas as pessoas que, das mais
diversas formas, me felicitaram pelos meus 34 anos. Um especial para aqueles
que estiveram presentes, mas também para todas as mensagens daqueles que estão
presentes todos os dias mesmo estando longe.
Um ano mais velho, um ano de real crescimento. Sem
dúvida alguma, foi aquele em que mais cresci, pessoal e profissionalmente.
Sinto-me hoje, algo diferente de há um ano atrás.
Profissionalmente, encontro-me ainda no maior desafio
que me propus até hoje. Um desafio exigente, de quase exaustão, mas que,
acredito, está a dar-me as ferramentas (e pensamento) necessárias para ser melhor
enfermeiro. Uma aprendizagem da responsabilidade de muitas pessoas, a quem já
agradeci, mas fá-lo-ei mais personalizadamente mais à frente.
Pessoalmente, cresci e aprendi com uma das maiores
perdas da minha vida. Nem sempre é fácil levantar a cabeça ou seguir em frente,
mas há alturas em que não se pode parar. Descobri uma resiliência que
desconhecia, mas aprendi que a vida é curta para deixarmos para amanhã o que
deve ser feito hoje. Estar com quem devemos, dizer o que sentimos, dar o valor
às pessoas enquanto estão connosco. Só assim fará sentido o que se disser
depois.
Ambas as situações levaram à maior mudança em mim. A
minha visão, não a de ver apenas com os olhos, mas a de ver e sentir quem foi o
meu suporte quando mais precisei. Algumas boas surpresas…algumas revelações.
Por isso o meu tempo, aquilo que de mais precioso
tenho, passou a ser dado às pessoas que me fazem sentir bem, pretendido e
acarinhado. A elas, que sabem quem são, dou o meu mundo.
Para terminar, farei menção particular apenas a uma
mensagem que me enviaram. Já fora de horas (nunca o é), quando já me preparava
para dormir, chegaram-me as seguintes palavras (apenas um excerto da mensagem):
“Como
amigo, apenas quero que tenhas sempre em mente que a vida é mais curta do que
aquilo que parece, por isso devemos tirar o máximo partido de todos os momentos
que nos fazem viver cada dia da melhor forma. Não há homens de ferro, mas há
homens sinceros e honestos e que dizem mais quando não falam. Espero que não te foques
apenas em dar o exemplo, já o fazes inconscientemente. Sê tu mesmo e continua a
ser quem és.”
Um amigo, um rapaz que vi crescer, que se tornou um
homem e que neste momento é um exemplo para mim. Pelo coração que tem, pela
força que demonstra e pelos princípios pelos quais se rege. Se já ia dormir de coração
cheio, permitiste-me adormecer com um sorriso.